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Brasil responde aos EUA e retira credencial de agente norte-americano

Lula elogia resposta à decisão dos EUA e reforça compromisso com novo efetivo na PF

23/04/2026 às 11:17
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou, nesta quarta-feira (22), a decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de cancelar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília.

 

Durante a declaração em vídeo publicada nas redes sociais, Lula afirmou que a ação segue o princípio da reciprocidade diante das medidas adotadas recentemente pelos Estados Unidos em relação a um delegado brasileiro.

 

"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", afirmou Lula, acompanhado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.


 

A iniciativa do governo brasileiro ocorreu após os Estados Unidos determinarem a saída de Marcelo Ivo de Carvalho, delegado da Polícia Federal, do território norte-americano. Segundo informações, Marcelo de Carvalho teria participado na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.

 

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores publicou uma nota na rede X informando que a representante da embaixada dos Estados Unidos foi comunicada, na terça-feira (21), sobre a decisão do Brasil de aplicar o princípio da reciprocidade. O comunicado destacou que a medida se deu "diante da decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, que não foi precedida de qualquer pedido de esclarecimento ou tentativa de diálogo sobre o caso", conforme previsto em acordo bilateral de cooperação na área policial.

 

O documento do Itamaraty ainda ressalta que a medida norte-americana não respeita as boas práticas diplomáticas de diálogo, tradicionalmente mantidas entre Brasil e Estados Unidos ao longo de mais de dois séculos de relações bilaterais.

 

Segundo a nota, "o agente brasileiro atuava com base em memorando de entendimento firmado entre os dois governos sobre a facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança", e acrescenta que o mesmo tratamento seria aplicado ao agente norte-americano.


 

Contexto da expulsão de delegado brasileiro

 

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos comunicou, na segunda-feira (20), que solicitou a saída de um funcionário brasileiro do território norte-americano. Embora o comunicado não tenha mencionado nomes, o texto indica que se trata do delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, que esteve envolvido na prisão de Alexandre Ramagem.

 

Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi solto na quarta-feira (15) após permanecer detido por dois dias na Flórida. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Ramagem a dezesseis anos de prisão, no contexto da ação penal que apurou sua participação em uma trama para tentativa de golpe de Estado.

 

Após a condenação, Ramagem teve o mandato parlamentar cassado e deixou o Brasil para evitar a execução da sentença, passando a residir nos Estados Unidos.

 

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou que fosse encaminhado um pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos, procedimento realizado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

Em abril, a Polícia Federal informou que a detenção de Alexandre Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano foi resultado de uma cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. Conforme a corporação, o ex-deputado foi localizado na cidade de Orlando e é considerado foragido pela Justiça brasileira, após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

 

Reforço no efetivo da Polícia Federal

 

Durante a gravação divulgada nas redes sociais, Lula anunciou também a contratação de mil novos agentes para reforçar o quadro da Polícia Federal. Esses profissionais atuarão principalmente em portos, aeroportos e regiões de fronteira. Segundo o presidente, a medida integra o compromisso do governo federal com o combate ao crime organizado.

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