Durante viagem à Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil adotará medidas de reciprocidade em resposta ao pedido do governo dos Estados Unidos para que um delegado da Polícia Federal brasileiro deixe o território norte-americano. O policial federal em questão esteve envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem nos Estados Unidos.
Lula relatou ter sido informado sobre o caso pela manhã, reforçando que, diante de um eventual excesso por parte das autoridades norte-americanas em relação ao policial brasileiro, o país aplicará o mesmo tratamento a servidores dos Estados Unidos que estejam no Brasil.
“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula.
O presidente ainda afirmou que o objetivo do governo brasileiro é garantir a correção dos processos, mas destacou que o país não aceita ingerências ou abusos de autoridade de agentes norte-americanos em relação ao Brasil.
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos comunicou, na segunda-feira (20), que solicitou a saída de um "funcionário brasileiro" do país. Embora o comunicado não tenha mencionado nomes, o texto aponta que o servidor é um delegado da Polícia Federal envolvido na operação de prisão de Alexandre Ramagem.
Segundo publicação do órgão norte-americano na rede social X, a justificativa para o pedido de saída do policial foi a tentativa de contornar instrumentos formais de cooperação jurídica previstos entre os países.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso.”
A detenção de Ramagem ocorreu na Flórida, sendo o ex-deputado liberado na última quarta-feira (15) após permanecer dois dias sob custódia do serviço de imigração norte-americano.
Alexandre Ramagem, ex-deputado e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão em processo penal relacionado a tentativa de golpe de Estado. Após a condenação, Ramagem perdeu o mandato parlamentar, deixou o Brasil para evitar o cumprimento da pena e passou a residir nos Estados Unidos.
Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o encaminhamento de um pedido formal de extradição do ex-deputado ao governo norte-americano, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, a prisão de Ramagem foi resultado de uma ação de cooperação internacional entre as autoridades policiais do Brasil e dos Estados Unidos. O ex-deputado foi detido em Orlando, sendo classificado como foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.