A capital paulista recebe a partir desta sexta-feira, 17, uma mostra inédita que destaca a trajetória e o legado de Janis Joplin, considerada um dos grandes nomes da música mundial e reverenciada como rainha do rock. O Museu da Imagem e do Som (MIS) será palco da exposição, que reúne mais de 300 objetos originais preservados pela família da artista, incluindo figurinos, acessórios, manuscritos, os famosos óculos, estola de penas e outras peças nunca antes exibidas.
Entre agosto de 1969, quando Janis se apresentou no lendário festival de Woodstock, e outubro de 1970, período que marca os últimos anos de sua vida, a cantora já era vista com grande destaque pela mídia, o que causava surpresa à sua mãe, Dorothy. Em uma carta escrita pela mãe naquele agosto, ela manifestava estranhamento ao ver a filha ser chamada de “rainha” ou “deusa”, lamentando ainda que não recebia mais cartas, apenas ligações da filha, que naquele momento estava envolvida em inúmeros compromissos profissionais.
Segundo Chris Flannery, responsável pela vinda dos itens de Janis ao Brasil, a realização da mostra só foi possível após contato com o administrador do espólio da artista. Flannery já havia organizado a exposição de B.B. King no MIS e, três anos atrás, recebeu do administrador de Janis uma lista de objetos e diversas imagens do acervo particular da cantora.
“Esta será a maior exposição de Janis já realizada em qualquer lugar do mundo.”
O público poderá conferir não apenas roupas e acessórios, mas também desenhos e escritos de Janis, permitindo contato com aspectos pouco conhecidos de sua personalidade. Flannery ressaltou que a artista também era dedicada às artes visuais e que parte de sua produção pictórica integra a mostra.
Os ingressos estão à venda por 30 reais (meia-entrada) e 60 reais (entrada inteira). Nas terças-feiras, exceto feriados, a entrada é gratuita para todos os visitantes.
A exposição de Janis Joplin ocupa todo o primeiro andar do MIS, onde dez salas expositivas foram especialmente preparadas para proporcionar uma experiência sensorial e imersiva. A cenografia, inspirada pelo universo psicodélico e pela personalidade intensa da cantora, busca transportar o visitante para diferentes momentos e emoções marcantes de sua carreira.
De acordo com André Sturm, diretor-geral do MIS e curador da mostra, cada sala foi concebida para retratar um sentimento ou característica associada à trajetória da cantora. O museu já realizou exposições dedicadas a outras grandes vozes do rock, como Rita Lee e Tina Turner, consolidando sua tradição de homenagear nomes de destaque do gênero.
“Quando ela canta, ela se entrega completamente, e ela teve uma vida muito intensa em todos os sentidos. Se o que mais marca a Janis é a emoção, vou fazer uma exposição e dividi-la pelas emoções muito presentes na vida dela.”
Uma das salas, intitulada Amor Brasil, rememora a passagem de Janis Joplin pelo país durante o carnaval carioca de 1970. Esse espaço reúne fotografias, vídeos e até trechos de cartas enviadas pela cantora à mãe naquele período de estadia no Brasil, evidenciando a felicidade da artista durante a visita.
Janis Joplin nasceu na cidade de Port Arthur, no Texas, em 1943. A singularidade de sua voz, rouca e intensa, foi influenciada desde cedo por artistas como Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton. Ainda na adolescência, envolveu-se com música folk e pintura, demonstrando interesse pelas expressões artísticas desde jovem.
Durante o ensino médio, experimentou tocar e cantar com amigos, além de se dedicar à pintura. Iniciou o ensino superior em Beaumont e Austin, mas logo abandonou os estudos para seguir sua paixão pela música e pela poesia beat, mudando-se para São Francisco em 1963. Lá, viveu no bairro de Haight-Ashbury, conhecido pelo ambiente de contracultura e pelo uso de drogas. Nessa época, gravou canções com o guitarrista Jorma Kaukonen e a esposa dele, Margareta, que utilizava uma máquina de escrever como instrumento de apoio nas gravações.
Posteriormente, Janis retornou ao Texas, matriculando-se em sociologia na Universidade Lamar, mas logo voltou para a Califórnia. Em 1966, iniciou sua carreira musical profissional ao se juntar ao grupo Big Brother and the Holding Company, considerado uma das principais bandas do rock psicodélico de São Francisco.
Pela banda, gravou dois discos de destaque: Big Brother and the Holding Company (1967) e Cheap Thrills (1968). Após deixar o grupo, lançou os álbuns solo I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama (1969) e Pearl (1971), este último lançado postumamente.
Janis Joplin faleceu em 4 de outubro de 1970, aos 27 anos, vítima de uma overdose de heroína, poucos dias após a morte de Jimi Hendrix, outro ícone da música mundial.