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Cuba solicita fim do embargo energético em reunião com delegação dos EUA

Diplomatas cubanos pedem suspensão de sanções energéticas em reunião com autoridades dos EUA em Havana

21/04/2026 às 12:43
Por: Redação

A capital cubana, Havana, foi palco recentemente de uma reunião entre representantes diplomáticos de Cuba e dos Estados Unidos, fato confirmado nesta segunda-feira (20) por Alejandro García, diretor-geral adjunto do Ministério das Relações Exteriores cubano para assuntos relacionados aos EUA, ao jornal Granma.

 

No encontro, promovido entre delegações oficiais das duas nações, os diplomatas de Cuba ressaltaram que a principal demanda do país foi a retirada do embargo energético imposto ao território cubano pelos Estados Unidos.

 

Segundo detalhou Alejandro García del Toro, a equipe americana era formada por secretários-adjuntos do Departamento de Estado dos EUA, enquanto a delegação cubana contou com a presença de autoridades no nível de vice-ministro das Relações Exteriores.

 

Durante a sessão de trabalho, os participantes mantiveram, de acordo com García del Toro, uma abordagem respeitosa e profissional. Ele esclareceu que nenhuma das partes envolvidas estabeleceu prazos ou apresentou declarações coercitivas, contrariando informações veiculadas por alguns meios de comunicação dos Estados Unidos.

 

O representante cubano frisou que os temas debatidos são sensíveis, o que leva ambas as partes a conduzirem essas reuniões com discrição.

 

De acordo com García del Toro, o pedido principal da delegação cubana nessa rodada de diálogo concentrou-se no fim do embargo energético dos Estados Unidos. Ele afirmou ainda que tal medida constitui punição injustificada à população de Cuba e representa uma forma de pressão internacional sobre países soberanos que desejam exportar combustível para a ilha, em consonância com princípios de livre comércio.

 

“Eliminar o bloqueio energético contra o país era uma prioridade máxima para nossa delegação. Esse ato de coerção econômica é uma punição injustificada para toda a população cubana. É também uma forma de chantagem em escala global contra Estados soberanos, que têm todo o direito de exportar combustível para Cuba, de acordo com os princípios do livre comércio”, enfatizou.

 

Medidas norte-americanas e suas consequências

 

O embargo ao fornecimento de energia a Cuba foi ampliado em 29 de janeiro, quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que estabeleceu estado de emergência nacional ao considerar Cuba uma ameaça incomum e extraordinária à segurança norte-americana.

 

Com essa decisão, o governo dos EUA passou a ter autorização para impor sanções a quaisquer países que facilitem o envio de petróleo à ilha, direta ou indiretamente. Tal restrição vem resultando em escassez de combustível, impactando o cotidiano dos cidadãos cubanos.

 

Apesar do contexto adverso, autoridades de Cuba reafirmaram disponibilidade para manter diálogo com representantes dos Estados Unidos, pontuando que essa comunicação está condicionada ao respeito mútuo e à ausência de intervenções externas.

 

Posicionamento do governo cubano sobre diálogo bilateral

 

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel também se pronunciou recentemente sobre as relações entre Cuba e os Estados Unidos, em declarações à publicação norte-americana Newsweek. Ele destacou que, para Cuba, é possível discutir acordos com o governo dos EUA em vários campos, como ciência, questões migratórias, combate ao tráfico de drogas, meio ambiente, comércio, educação, cultura e esportes.

 

Díaz-Canel ressaltou que tais negociações só podem ocorrer dentro de parâmetros de igualdade, respeitando a soberania, o sistema político local, a autodeterminação e as normas do direito internacional.

 

O chefe de Estado declarou posteriormente, em entrevista ao programa Meet the Press da NBC News: “Podemos negociar, mas à mesa, sem pressão ou tentativas de intervenção dos EUA.”

 

O governo cubano permanece aberto ao diálogo, desde que seja pautado pelo respeito mútuo e por princípios de não ingerência nas questões internas do país.

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