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Lula discursa na Espanha, cobra coerência progressista e critica extrema-direita

Presidente brasileiro participou de evento global em Barcelona, defendendo democracia e apontando falhas do neoliberalismo.

18/04/2026 às 20:37
Por: Redação

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, participou de uma reunião de ativistas e organizações de esquerda, a Mobilização Progressista Global (MPG), realizada na tarde do último sábado, dia 18, em Barcelona, na Espanha. Durante o evento, que congrega forças progressistas ao redor do mundo para fortalecer a democracia com justiça social e conter o avanço de movimentos autoritários de extrema-direita, Lula pediu que os progressistas mantenham a coerência em suas ações e discursos.

 

Dirigindo-se a uma plateia de mais de 5 mil pessoas, que incluía outros chefes de Estado, o presidente iniciou sua fala incentivando os presentes a não temerem se identificar como progressistas ou de esquerda na conjuntura global atual.

 

"Ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade".
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Lula ressaltou os importantes avanços alcançados pelas correntes progressistas em favor de diversos grupos sociais, como trabalhadores, mulheres, a população negra e a comunidade LGBTQIA+. Contudo, o presidente observou que a esquerda não conseguiu desafiar o paradigma econômico dominante, o que, em sua visão, abriu espaço para o fortalecimento de ideologias reacionárias na sociedade.

 

"O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda sim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente agora como antissistema", afirmou Lula.
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Segundo o presidente brasileiro, a coerência deve ser o princípio fundamental para os progressistas.

 

Ele enfatizou a necessidade de agir em conformidade com as propostas de campanha, alertando contra a traição da confiança popular. Lula afirmou que, embora grande parte da população não se autodenomine progressista, ela aspira aos ideais que o movimento defende, como acesso a alimentação de qualidade, moradia digna, educação e saúde de excelência, além de políticas climáticas e ambientais responsáveis, um ambiente global saudável, trabalho justo com jornada equilibrada e salários que garantam uma vida confortável.

 

Lula analisou que os grupos de extrema-direita foram hábeis em explorar o descontentamento gerado pelas promessas não cumpridas do neoliberalismo.

 

Essas forças, conforme o presidente, direcionaram a frustração popular por meio da disseminação de informações falsas, atacando segmentos como mulheres, negros, membros da comunidade LGBTQIA+ e imigrantes, que se tornaram alvos de discursos de ódio.

 

Mais cedo, no mesmo dia em Barcelona, o presidente Lula esteve presente na quarta edição do Fórum Democracia Sempre, ao lado de outros líderes internacionais. Esta iniciativa, lançada em 2024, envolve os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai.

 

A reunião em Barcelona, organizada pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, também contou com a presença de Yamandú Orsi, presidente do Uruguai; Gustavo Petro, presidente da Colômbia; Ciyril Ramaphosa, presidente da África do Sul; Claudia Sheinbaum, presidente do México; e Gabriel Boric, ex-presidente do Chile.

 

Dirigindo-se aos ativistas progressistas, Lula defendeu a necessidade de identificar os verdadeiros responsáveis pela crise socioeconômica global, apontando para o pequeno grupo de bilionários que detém a maior parte da riqueza mundial.

 

Ele criticou a narrativa de que "qualquer um pode chegar lá", que, segundo ele, é uma falácia meritocrática utilizada para “chutar a escada” e impedir a ascensão de outros. Lula ainda destacou que esses bilionários contribuem com menos impostos ou até nenhum, exploram trabalhadores, prejudicam o meio ambiente e manipulam algoritmos. Para ele, a desigualdade não é um resultado natural, mas uma decisão política. O que define um progressista é a escolha pela igualdade, e seu lema deve ser sempre estar ao lado do povo.

 

Crítica aos "Senhores da Guerra"

 

O chefe de Estado brasileiro reiterou sua crítica aos líderes das nações com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, referindo-se a eles como "senhores da guerra".

 

Ele lamentou os bilhões de dólares empregados em armamentos, recursos que, em sua avaliação, poderiam ser direcionados para erradicar a fome, solucionar a crise energética e garantir o acesso universal à saúde.

 

Lula enfatizou que o Sul Global suporta as consequências de conflitos que não iniciou e de alterações climáticas que não provocou. Essa região, de acordo com o presidente, é frequentemente tratada como mera extensão das grandes potências, sofrendo com tarifas abusivas e dívidas impagáveis, e sendo vista apenas como fornecedora de matérias-primas.

 

Para Lula, a postura progressista no cenário internacional implica defender um multilateralismo reformado, priorizar a paz sobre o uso da força, combater a fome, proteger o meio ambiente e restaurar a credibilidade da Organização das Nações Unidas, que foi corroída pela irresponsabilidade de seus membros permanentes.

 

Em outra parte de seu discurso, Lula alertou que a ameaça representada pela extrema-direita transcende a retórica, sendo uma realidade concreta.

 

No Brasil, ele mencionou que essa corrente política orquestrou um golpe de Estado, elaborando um plano que incluía o uso de tanques nas ruas e a execução do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral.

 

Citando o Papa Leão XIV, Lula afirmou que a democracia corre o risco de se transformar em uma fachada para o domínio de elites econômicas e tecnológicas. Ele argumentou que o papel dos progressistas é desmascarar essas forças e aqueles que se apresentam como defensores do povo, mas, na realidade, governam em benefício dos mais ricos.

 

O presidente brasileiro salientou ainda que a democracia não é um estado final, mas um processo que exige reafirmação diária, com melhorias efetivas na vida das pessoas para manter sua credibilidade.

 

Lula listou situações que, em sua visão, não configuram uma verdadeira democracia: quando um pai se vê sem meios para alimentar a família; quando um neto perde seu avô na fila de um hospital; quando uma mãe enfrenta longas jornadas em transporte público superlotado e não consegue se despedir de seus filhos à noite; quando alguém sofre discriminação por sua etnia; ou quando uma mulher morre simplesmente por ser mulher. A mensagem final foi a de substituir o desânimo pela esperança e o ódio pelo sonho.

 

Próximos Compromissos na Europa

 

Após a agenda na Espanha, Lula segue para a Alemanha neste domingo, dia 19. No país, ele participará da Hannover Messe, considerada a maior feira global de inovação e tecnologia industrial, que nesta edição prestará homenagem ao Brasil.

 

Ainda em território alemão, o presidente do Brasil terá um encontro oficial com o chanceler Friedrich Merz.

 

A viagem europeia será concluída no dia 21, com uma breve visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, Lula tem reuniões agendadas com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

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