O resultado das transações externas brasileiras apresentou déficit de 6,036 bilhões de dólares no mês de março, conforme indicado pelo Banco Central nesta sexta-feira, 24. Esse valor mais do que duplicou em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o saldo negativo foi de 2,930 bilhões de dólares.
As transações correntes abrangem todas as operações internacionais envolvendo compras e vendas de mercadorias, prestação de serviços e transferências de renda entre o Brasil e outros países. Após três meses consecutivos de redução do déficit, a tendência foi revertida em março, acumulando resultado negativo de 64,274 bilhões de dólares nos doze meses encerrados nesse período, o que corresponde a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Na comparação com o intervalo equivalente encerrado em março do ano anterior, houve redução no saldo negativo, já que naquele momento o déficit em doze meses era de 74,383 bilhões de dólares, equivalente a 3,47% do PIB.
O agravamento do resultado das contas externas em março, na comparação anual, ocorreu principalmente devido à diminuição de 1,6 bilhão de dólares no superávit da balança comercial de bens, reflexo da elevação nas importações. Além disso, verificou-se incremento de 1,1 bilhão de dólares no déficit da conta de renda primária e ampliação de 600 milhões de dólares no déficit do setor de serviços.
O Banco Central destacou que, apesar do aumento no déficit mensal, as transações correntes mantêm perspectiva de redução do saldo negativo em doze meses desde setembro do ano anterior. Conforme avaliação da instituição, o financiamento desse déficit ocorre por meio de capitais externos de longo prazo, sobretudo pela entrada de Investimentos Diretos no País (IDP), cujos fluxos e estoques são considerados de boa qualidade.
O volume de IDP registrado em março totalizou 6,037 bilhões de dólares, ligeiramente abaixo do montante observado em março do ano anterior, quando chegou a 6,295 bilhões de dólares. Sempre que o país apresenta déficit nas transações correntes, é necessário compensar esse resultado com investimentos estrangeiros ou empréstimos externos. O ingresso de IDP é considerado o mecanismo de cobertura mais favorável, pois são capitais alocados na produção nacional com horizonte de longo prazo.
No acumulado de doze meses até março, os investimentos diretos alcançaram 75,660 bilhões de dólares, representando 3,18% do PIB. O mês imediatamente anterior teve ingresso de 75,918 bilhões de dólares (3,24% do PIB), enquanto no mesmo período encerrado em março do ano passado o valor ficou em 74,078 bilhões de dólares (3,45% do PIB).
Já os investimentos em carteira no mercado interno resultaram em retirada líquida de 2,867 bilhões de dólares em março, com a maior parte desses recursos correspondendo a títulos de dívida. Considerando o acumulado de doze meses até março, houve ingresso líquido de 28,4 bilhões de dólares, comparado à entrada de 29,5 bilhões de dólares nos doze meses até fevereiro deste ano e à saída líquida de 6,8 bilhões de dólares nos doze meses encerrados em março do ano passado.
O volume de reservas internacionais brasileiras ficou em 362,002 bilhões de dólares no final de março, valor 9,072 bilhões de dólares inferior ao registrado no mês anterior.
Em março deste ano, as exportações brasileiras de bens somaram 31,738 bilhões de dólares, indicando crescimento de 9,5% frente ao mesmo mês do ano anterior. As importações, por sua vez, chegaram a 26,118 bilhões de dólares, alta de 19,9% na mesma base de comparação.
Esses resultados proporcionaram à balança comercial um superávit de 5,620 bilhões de dólares em março, revertendo o saldo negativo de 7,219 bilhões de dólares registrado em igual mês do ano passado.
No setor de serviços, que inclui atividades como turismo, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação e propriedade intelectual, o déficit atingiu 4,785 bilhões de dólares em março, enquanto em março do ano anterior esse saldo negativo foi de 4,216 bilhões de dólares.
A conta de renda primária, composta por itens como pagamentos de lucros e dividendos de empresas, juros e salários, apresentou déficit de 7,384 bilhões de dólares no mês passado. Esse valor supera em 17,8% o resultado de março do ano anterior, que foi de 6,267 bilhões de dólares. Normalmente, essa conta é deficitária devido ao volume superior de investimentos estrangeiros no Brasil, com remessa de lucros para o exterior, em comparação aos investimentos de brasileiros fora do país.
Por fim, a conta de renda secundária, que inclui transferências como doações e remessas de dólares entre países sem contrapartida de bens ou serviços, apresentou superávit de 512 milhões de dólares em março, acima dos 335 milhões de dólares registrados em março do ano passado.