O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, fez uma declaração contundente nesta sexta-feira (17), ao afirmar que a Corte se encontra imersa em uma crise institucional. A manifestação ocorreu durante uma palestra proferida a estudantes da Fundação Getulio Vargas (FGV), na cidade de São Paulo.
Durante sua fala, o chefe do STF sublinhou a importância de reconhecer a existência dessa crise na atuação do Judiciário e a urgência em enfrentá-la de maneira direta.
Quando falamos em crises, é fundamental reconhecer que efetivamente estamos imersos, em relação à atuação do Judiciário, em uma crise que precisa ser enfrentada, com olhos de ver e ouvidos de ouvir, sob pena de repetirmos, para problemas novos, soluções velhas, que significam relegar os problemas sem resolvê-los”, comentou.
Fachin também abordou o cenário nacional, descrevendo-o como um ambiente de “desconfiança institucional” e “intensa polarização”. Ele alertou que a confiança pública é comprometida sempre que o papel do juiz se confunde com o de um agente político, disfarçado de intérprete jurídico.
A crise interna no Supremo Tribunal Federal foi intensificada nesta semana por desdobramentos de investigações e relatórios parlamentares. Um dos episódios foi a tentativa do senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, de incluir o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.
Além disso, as apurações envolvendo o Banco Master contribuíram para o abalo institucional. Em fevereiro, o ministro Dias Toffoli se afastou da relatoria do inquérito que apura fraudes relacionadas à instituição financeira. A decisão veio após o ministro reconhecer sua sociedade no resort Tayayá, que havia sido adquirido por um fundo de investimentos anteriormente pertencente ao Banco Master, e que atualmente está sob investigação da Polícia Federal.
Já em março, o ministro Alexandre de Moraes veio a público para negar qualquer interação com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A negativa de Moraes refere-se ao dia 17 de novembro do ano passado, data em que Vorcaro foi detido pela primeira vez. A prisão do empresário ocorreu no âmbito da primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga alegações de fraudes no banco.