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Trump anuncia trégua de dez dias entre Israel e Líbano

Acordo de dez dias inicia após pressão do Irã para negociação com EUA; Israel e Hezbollah reagem

17/04/2026 às 04:14
Por: Redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou nesta quinta-feira, 16, que intermediou um acordo para um cessar-fogo de dez dias entre Israel e Líbano, com início programado para as 17h, no horário de Brasília.

 

A trégua foi incluída entre as demandas apresentadas pelo Irã para dar continuidade às negociações com os Estados Unidos.

 

O parlamentar do Hezbollah, Ibrahim al-Musawi, declarou à agência francesa AFP que o grupo cumprirá o pacto desde que Israel suspenda os ataques. Por outro lado, autoridades do governo em Tel Aviv não emitiram comentários oficiais até o momento.

 

“Acabei de ter excelentes conversas com o altamente respeitado presidente Joseph Aoun, do Líbano, e com o primeiro-ministro Bibi [Benjamin] Netanyahu, de Israel. Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias às 17h [horário de Brasília]”, disse Trump em uma rede social.


 

Segundo Trump, ambos os lados expressaram desejo de estabelecer a paz e ele acredita que isso acontecerá em breve.

 

Embora o anúncio mencione o envolvimento do Executivo libanês, o governo do Líbano não exerce controle sobre o Hezbollah, que atua como partido-milícia ligado ao Eixo da Resistência, composto por grupos contrários às políticas dos Estados Unidos e de Israel na região, incluindo o Irã.

 

O presidente libanês, Joseph Aoun, divulgou nota agradecendo os esforços de Trump para alcançar um cessar-fogo no país e reforçou o objetivo de garantir paz duradoura e avançar no processo de pacificação regional, manifestando desejo para que esses esforços resultem em um cessar-fogo o mais breve possível.

 

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, também se manifestou publicamente pelas redes sociais, saudando o anúncio feito por Trump.

 

“Acolho com satisfação o anúncio do cessar-fogo proclamado pelo presidente Trump, que constitui uma reivindicação libanesa central pela qual nos empenhamos desde o primeiro dia da guerra e que foi o nosso objetivo primordial no encontro de Washington na terça-feira”, disse.


 

Representantes do Líbano e de Tel Aviv participaram nesta semana de um encontro em Washington, o primeiro desde 1983, ano em que Israel realizou a primeira invasão ao território libanês.

 

Até o momento, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não se pronunciou oficialmente sobre o acordo anunciado.

 

De acordo com o jornal israelense The Times of Israel, ministros do gabinete receberam a notícia do cessar-fogo com surpresa. A publicação afirma que Netanyahu teria concordado com o cessar-fogo a pedido de Trump. A oposição no parlamento israelense criticou o acordo, classificando-o como um cessar-fogo "imposto" a Israel.

 

O portal israelense Ynet noticiou ainda que um oficial das Forças Armadas do país declarou que as tropas israelenses permaneceriam em território libanês, mesmo durante o período de trégua.

 

Conflito recente e negociações

 

O atual ciclo do conflito entre Israel e Líbano teve início em outubro de 2023, quando o Hezbollah lançou ataques ao norte do território israelense em apoio à população palestina, em resposta aos ataques israelenses na Faixa de Gaza.

 

Em novembro de 2024, foi firmado um acordo de cessar-fogo entre o Hezbollah e o governo de Tel Aviv, porém, segundo relatos, Israel não respeitou o compromisso e continuou realizando operações militares no Líbano.

 

Após o início das ações militares direcionadas ao Irã, em 28 de fevereiro, o Hezbollah respondeu com novos ataques a Israel, motivado por violações recorrentes ao cessar-fogo e em retaliação ao assassinato do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei.

 

Em 8 de abril, foi anunciado um cessar-fogo na guerra contra o Irã, porém Israel persistiu com ofensivas em território libanês, descumprindo novamente um acordo, desta vez intermediado pelo Paquistão.

 

O Irã vinha exigindo a inclusão do Líbano nos acordos de cessar-fogo como condição para prosseguir com as tratativas diplomáticas com os Estados Unidos. Uma segunda rodada de negociações estava prevista para os próximos dias.

 

Antecedentes históricos da disputa

 

O embate entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, período em que o grupo xiita foi fundado como reação à invasão e subsequente ocupação israelense do Líbano, realizada sob a justificativa de perseguir grupos palestinos que buscavam refúgio no país vizinho.

 

No ano 2000, o Hezbollah conseguiu a retirada das tropas israelenses do território libanês. Com o passar do tempo, a organização passou a atuar também como partido político, obtendo cadeiras no Parlamento e participando de governos nacionais.

 

Além desses episódios, o Líbano sofreu novos ataques de Israel em 2006, 2009 e 2011.

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