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Lula critica postura de Trump e defende respeito à soberania internacional

Presidente brasileiro rebate ameaças de Trump a Irã, Cuba e Venezuela e alerta para riscos de conflito global

17/04/2026 às 00:14
Por: Redação

Durante entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou forte oposição à política internacional conduzida por Donald Trump, então presidente dos Estados Unidos, ao abordar temas como as relações com Irã, Cuba e Venezuela. Lula enfatizou que, sob nenhuma circunstância, a Casa Branca tem o direito de ameaçar países cujas decisões não aprova na esfera global.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

Lula abordou ainda as consequências das ameaças e intervenções de Trump em relação a Cuba e Venezuela, defendendo que nenhum Estado possui legitimidade para violar a integridade territorial de outro país.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou.


 

Segundo Lula, há uma carência de lideranças políticas globais dispostas a assumir a responsabilidade de reconhecer que o planeta não pertence a uma única nação. Para ele, as potências mundiais precisam assumir maior compromisso com a paz internacional, independentemente de sua relevância política ou econômica. Lula ressaltou que os países mais influentes devem exercer maior responsabilidade na manutenção da segurança global.

 

Ameaça de genocídio e riscos de conflito global

 

A discussão foi intensificada após novas declarações de Donald Trump, que recentemente ameaçou o Irã com um crime de genocídio caso o país não aceitasse as condições propostas pelos Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio. Lula se posicionou veementemente contra esse tipo de postura e alertou para o risco real do surgimento de um confronto mundial de grandes proporções, caso tal conduta persista.

 

O presidente brasileiro chegou a abordar a hipótese de uma terceira guerra mundial como resultado das políticas intervencionistas adotadas por Trump.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Quando questionado se considera possível uma guerra mundial, Lula afirmou que tal possibilidade existe caso continue prevalecendo a ideia de que países podem agir belicamente de forma unilateral.

 

“Se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”.


 

Críticas ao bloqueio contra Cuba

 

Lula também manifestou reprovação ao endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos a Cuba, que se soma a um embargo econômico em vigor há quase sete décadas. Na avaliação do presidente brasileiro, Cuba é um parceiro estratégico e relevante para o Brasil.

 

Ele questionou a lógica por trás da manutenção do bloqueio:

 

“Não tem explicação um bloqueio durante 70 anos. Ou seja, se as pessoas que não gostam de Cuba, que não gostam do regime cubano, têm uma preocupação com o povo cubano, por que essas pessoas não têm uma preocupação com Haiti? Que não tem o regime comunista, por que não tem?”


 

O Haiti, como explicou Lula, enfrenta uma crise social e econômica de longa data, caracterizada pelo controle de grande parte da capital Porto Príncipe por gangues armadas. Ele ressaltou que Cuba precisa de oportunidades para promover melhorias internas e destacou o impacto das restrições à importação de alimentos, combustíveis e energia no desenvolvimento do país.

 

“Como é que pode sobreviver um país que está comprometido a não receber alimento, a não receber combustível, a não receber energia?”


 

Posição sobre a Venezuela e o processo eleitoral

 

Em relação à Venezuela, Lula defendeu que o governo brasileiro sempre apoiou a realização das eleições previstas para julho de 2024, com o compromisso de respeito ao resultado das urnas e ao retorno da paz no país vizinho. Ele foi categórico ao afirmar que não cabe aos Estados Unidos administrar a Venezuela.

 

“[O que não dá é] os EUA acharem que eles podem administrar a Venezuela”.


 

Impacto das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros

 

Outra questão abordada na entrevista foi a política tarifária norte-americana em relação às exportações brasileiras, especialmente as tarifas impostas entre abril e agosto de 2025. Lula recordou a discussão direta com Trump durante encontro entre os dois presidentes, esclarecendo que não buscava consenso ideológico, mas sim a defesa dos interesses brasileiros frente aos interesses dos Estados Unidos.

 

“Eu nunca pedirei para ele concordar ideologicamente comigo, como eu também não concordo com ele. Dois chefes de Estado não têm que pensar ideologicamente. Eu tenho que pensar como chefe de Estado. Quais são os interesses do meu país com relação aos Estados Unidos e quais são os interesses deles com relação ao meu país?”


 

Após negociações entre Brasília e Washington, realizadas em novembro de 2025, foi retirada a tarifa de 40% aplicada pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros, incluindo café e carne. Posteriormente, em fevereiro do ano seguinte, a Suprema Corte dos Estados Unidos revogou o aumento tarifário imposto por Trump a dezenas de países, atendendo à solicitação de empresas estadunidenses afetadas pelas medidas.

 

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