O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a atenção para o papel dos jogos de apostas online no aumento do endividamento das famílias brasileiras, ao afirmar que o avanço dessas modalidades no ambiente digital tem trazido impactos negativos à saúde financeira da população. Ele manifestou preocupação não apenas com as chamadas bets, mas também com as grandes empresas de tecnologia, conhecidas como big techs, ao propor uma regulamentação mais rígida para ambos os setores.
Durante uma coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (17), em Barcelona, após a formalização de acordos entre Brasil e Espanha, Lula destacou a necessidade de estabelecer regras claras para o funcionamento dos jogos de apostas e das plataformas digitais. Para o presidente, a ausência de regulação coloca em risco tanto a saúde mental quanto a estabilidade financeira das famílias, além de afetar a soberania nacional e a democracia.
Lula recordou que o Brasil tradicionalmente adotou postura restritiva em relação aos jogos de azar, mas observou que, com o avanço da tecnologia, o ambiente dos cassinos se transferiu para dentro das residências por meio dos aparelhos de celular. O presidente afirmou que esse fenômeno tem estimulado despesas que frequentemente extrapolam o orçamento das famílias, o que aprofunda as dificuldades financeiras enfrentadas por muitos brasileiros.
“Uma das coisas que está endividando a sociedade, fazendo com que ela gaste aquilo que não poderia gastar, são as apostas no mundo digital”, disse.
O presidente destacou que o governo brasileiro vem adotando iniciativas para resguardar crianças dos efeitos prejudiciais do universo digital. Entre as ações mencionadas, Lula citou a proibição do uso de celulares em escolas do ensino fundamental. Ele relatou que, apesar de certa resistência inicial, a medida obteve sucesso significativo, promovendo a retomada de brincadeiras entre as crianças e reduzindo o uso excessivo dos aparelhos eletrônicos.
Lula também assegurou que a administração federal pretende avançar na regulação de todas as plataformas digitais que possam causar danos à democracia, à soberania e ao bem-estar das pessoas. Ele defendeu que a internet não deve ser utilizada como espaço para a disseminação de ódio, mentiras ou violência.
“A internet não é para transmitir ódio, nem mentira. Não é para transmitir violência. Quem acompanha a internet sabe do que eu estou falando”, argumentou.
Ao abordar o tema da regulação do ambiente digital, Lula afirmou que esse é um desafio que deve ser encarado coletivamente por todos os países, pois os problemas decorrentes da falta de controle atingem a população mundial. O presidente manifestou a expectativa de que haja compreensão internacional acerca da gravidade da situação, especialmente diante da proximidade de períodos eleitorais e do surgimento de estruturas organizadas para a produção e disseminação de informações falsas.
“Espero que o mundo tenha consciência de que este é um problema da humanidade. Precisamos regular tudo que for digital, para que a gente dê soberania aos nossos países, de forma a não permitir intromissões vindas de fora, sobretudo no ano eleitoral. Mundo afora, estão sendo criadas verdadeiras fábricas ou fazendas de mentiras”, acrescentou.